"Filme triste que me fez chorar" é um projeto de longa-metragem documental que fala sobre  minha família e a cidade natal localizada no interior do estado de São Paulo. Aqui me interessa lançar um olhar em especial a três gerações de mulheres de uma família do interior do estado e observar também como o tempo transfigura e modifica  espaços, memórias, pessoas e relações.

Além de uma observação atenta às dinâmicas familiares, este projeto reflete também sobre as modificações espaciais e sociais que Bauru, minha cidade natal, sofreu nas últimas décadas; a chegada de grandes lojas de departamento e estátuas da liberdade, a modificação brutal arquitetônica de um interior paulista que se expande por meio de condomínios de luxo, “Alphavilles”, casas de decoração impessoal e arbustos cortados de maneira simétrica.  

Este filme começou a ser feito de maneira inconsciente dez anos atrás. Na época, estava aprendendo a fotografar e levava uma camera para Bauru, para registrar minha mãe, minha avó, meus primos e tias.

A presença de uma câmera de certa maneira me autorizava a estar ali me fazendo presente em certos espaços. Encarava o mecanismo de fotografar como um trabalho, uma expedição possível, realizada algumas vezes ao ano.  

Observar aquelas imagens com o passar do tempo me fez entender também o que estava em jogo e o que é importante quando penso no mundo e no tempo das fotografias.

Em certo momento, além das imagens, comecei também a filmar alguns acontecimentos; festas de natal, almoços de família, minha avó cozinhando quiabo com frango na cozinha, nossas conversas e canções de samba em um churrasco que durou 12 horas. Certo dia caiu uma tempestade na cidade mais quente do interior paulista e resolvi filmar a chuva também. Deixava o tripé parado em um canto da sala e esperava algo acontecer.

Nunca assistia as coisas que filmava. No geral, costumava descarregar o cartão da câmera em uma pasta no computador onde escrevi; “um filme que ainda vou fazer”. No final do ano passado, no mês de dezembro resolvi que iria fazer um pequeno filme sobre a espera do natal. Fui para Bauru três semanas antes do que costumava ir e filmei tudo o que acontecia de maneira obcecada, sem entender o porquê.

Quando voltei pra São Paulo entendi que talvez este não fosse um filme sobre o natal; mas certamente este é um filme sobre o tempo, sobre afetos possíveis, sobre piscinas de água parada e uma canção triste de samba, tocando baixinho no radinho do quintal. Este é um filme sobre uma família matriarcal e as relações que se firmam e se afrouxam, como uma dança, com o passar do anos. É um filme sobre uma cidade em desaparecimento, dando lugar a um projeto arquitetônico higienizado e burocrático. É um filme sobre muitas outras famílias, sobre minha avó e é também um filme sobre mim,  e as coisas que acho importante serem ditas quando penso no mundo das imagens.

O dinheiro deste financiamento será destinado às últimas captações necessárias para que o projeto seja concluído. Uma parte da verba também será destinada à um primeiro processo de montagem e finalização para que a produção seja concluída até o final de 2022.

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